domingo, 27 de julho de 2008

O SENTIDO DA EDUCAÇÃO

"A educação, uma das primas pobres neste país, deveria, penso eu, ser em grande parte repensada e reformulada. Deveria ser privilegiada entre todos os setores da vida de
um povo, pois sem educação, que inclui informação, ninguém é capaz de determinar seus caminhos e escolher seus trabalhos.
...Educar não é apenas instruir, ensinar a ler, escrever, calcular. Não é nem mesmo instruir em todos os anos dos Ensinos Fundamental e Médio. Educar é, deveria ser, antes de mais nada, ensinar a pensar. Ensinar a questionar. Abrir cabeças e preparar para enfrentar a vida não apenas ganhando um ou dois ou mil salários, mas sentindo-se capaz, e consciente, para fazer suas escolhas e viver sua vida.
Educar deve ser estimular para que desabrochem todas as capacidades de uma criança, e depois, de um jovem. Fazer ver o mundo, com suas belezas, suas regras, seus perigos e suas possibilidades, na família, a comunidade, a região, o país....o mundo, com o qual hoje nos comunicamos tão facilmente.
Estimular o discernimento, isto é, a capacidade de entender e julgar e escolher: é bem mais importante do que belos edifícios e recursos modernos, embora nenhuma criança deva estudar
numa escola que está caindo aos pedaços, em más condições higiênicas, sem livros bons e bem conservados, sem o material básico...
...A vida não perdoa, não é brincadeira, e embora todos devam buscar uma vida saudável e harmoniosa, se possível feliz, divertir-se o tempo todo, não ter punições nem limites, levar tudo na brincadeira, não prepara para as escolhas e decisões que terão de ser tomadas."


VALE A PENA LER E REFLETIR SOBRE ESTE ARTIGO DE LYA LUFT, PUBLICADO NA REVISTA "Atividades & Experiências" - Editora Positivo.

Clique no link abaixo e leia o artigo na íntegra:
http://www.educacional.com.br/revista/0108/pdf/26_ComaPalavra.pdf

Existe magia no trabalho?




Texto de Floriano Serra
(Revista Gestão Educacional – set/2007)


Existe, sim.
E por que quase ninguém vê? Porque a magia no trabalho é como Deus e seus Anjos: você só vê se quiser, se tiver boa vontade e, principalmente, se acreditar. Se não, não vê. A magia no trabalho está em pequenos detalhes. Em ações nas quais o ser humano se revela em sua divindade: generosidade, amizade, solidariedade, disseminar alegria e carinho. Nem sempre estas ações ficam no foco na notícia, porque muitas delas são anônimas, particulares, pessoais. A mídia do bem é o coração de quem o recebe.
A magia no trabalho está na simpatia das pessoas que trabalham. Gente comum, humilde, que ali está para realizar sonhos próprios, dos colegas, dos clientes e dos acionistas – porque acredita nesses sonhos. Podem ter curso superior, pós-graduação, mestrado, MBA ou não. A simplicidade, a humildade a que me refiro estão acima das graduações, títulos e cargos – está na essência de cada um.
A magia no trabalho está na solidariedade dos que estão lado a lado, todo dia. Acreditem que os mesmos funcionários que recorrem a empréstimos sociais para resolverem seus problemas financeiros, são os primeiros a participar de campanhas internas de cunho social e beneficente para ajudar comunidades carentes e se envolvem imensamente nos projetos da empresa.
A magia no trabalho está na união de quem sabe pertencer a uma grande família. Pode até haver discordâncias, como nas famílias de verdade, mas o desejo de harmonia e da busca de soluções supera as possibilidades de conflitos.
A magia no trabalho está no direito de sorrir enquanto se trabalha, de se emocionar, de demonstrar carinho e gratidão pelo colega, pela empresa. Ou até irritação e tristeza, porque não se pode selecionar a manifestação de sentimentos – pode-se administra-las. O fundamental é não reprimir o que é natural e espontâneo no ser humano.
A magia no trabalho está em acreditar que cada um tem uma missão na empresa. E em dar o melhor de si para cumprir essa missão com comprometimento e dedicação, porque ela faz parte da realização do profissional. Os resultados da instituição, quando alcançados, beneficiam a todos, indistintamente.
Pois bem, essas magias existem no trabalho, de forma perceptível e até palpável. E se você praticar uma delas – uma que seja – aprenderá a ver ou sentir todas as outras. Basta acreditar e fazer a sua parte.
Se nada de teórico e conceitual justificasse a prática dessas “loucuras” ou “utopias”, bastaria saber e perceber que elas promovem alegria e felicidade. Isso basta. Esse é o lucro que temos – além do outro, o convencional, que nos acompanha, graças a Deus, há vários anos de forma ininterrupta.
O legal em toda essa história é saber que para a prática dessas magias uma empresa necessita de gente comum, com objetivos comuns e com um bom coração. Será tão difícil assim?

Bom semestre a todos e que, em equipe, possamos fazer as MAGIAS acontecerem!

domingo, 11 de maio de 2008

Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?

Celso Antunes

Um tema que está tornando-se "moda" em educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que isso não ocorra e que não existem razões nos protestos de pais e professores. A questão da indisciplina é sempre assunto que preocupa e, nos dias de hoje, ainda mais, pois assume a perfídia em situações de "bullying" ou avança para registros policiais quando evolui para a violência. Assim, quando falamos que a questão está tornando-se "moda" é porque em toda parte só se fala dela e alguns professores já começam a pensar que não vale a pena crescer em sua aprendizagem, pois ela jamais chegará aos alunos por causa da pertinaz indisciplina deles.
Sempre pensamos que a questão da indisciplina necessita de trabalho urgente e coletivo, mas, para que deixe de ser simplesmente "moda" e deixemos de assumi-la como intratável, cabe buscarmos caminhos, começando por perguntar "O que é efetivamente indisciplina?" e "Qual disciplina se deseja conquistar?".
Se procurarmos o significado da palavra disciplina, veremos em sua etimologia a idéia de "educar", "instruir", "aplicar" e "fundamentar princípios morais" e que seu antônimo é "desobediência", "confusão" ou "negação da ordem". Ampliando mais o sentido do termo, avançaremos para a idéia de "ordem", "firmeza", "obediência às regras" e, portanto, quando ela inexiste, torna-se necessária a culpa, o castigo ou a penitência. Mas será isso mesmo? Essa reflexão etimológica simboliza efetivamente a indisciplina que enfrentamos? Por acaso, não seria melhor ficarmos com um conceito mais amável, como, por exemplo, "Disciplina é uma relação de afeto e respeito, uma ação recíproca de cumprimento de normas". Disciplina não seria, portanto, aceitar, por exemplo, que na sala de aula constrói-se uma relação como quem joga dominó e, assim, é essencial ser parceiro e que essa parceria se fundamente em regras que todos devem cumprir? Caso se aceite que essa idéia conceitual é melhor que a primeira, cabe construí-la, e o início dessa construção se manifesta por meio de um acordo entre alunos e professores, algo como um "contrato" em que ambas as partes discutem e constroem seu papel e sabem como acatar sanções na eventualidade de um descumprimento.
Mas, para que essa disciplina desejável se possa construir, torna-se imperioso indagar "Qual disciplina estamos efetivamente buscando?".
Essa resposta necessita passar por uma desconstrução da idéia geral para a análise de situações específicas. Existe, por exemplo, uma disciplina em relação ao tempo: cumprir horários, acatar prazos, entregar tarefas nos momentos estabelecidos, planejar a duração de ações e discutir cronogramas. E também outra entre disciplina e espaço: respeitar locais; saber guardar as coisas, retirá-las e devolvê-las ao lugar onde foram apanhadas; ocupar espaços definidos e manter-se em ordem nestes. É também essencial que se analise a disciplina em relação ao outro, às pessoas: saber esperar sua vez, respeitar a pergunta do colega, mostrar-se educado em relação às diferenças, compreender a individualidade e libertar-se de estereótipos. Uma disciplina que efetivamente se deseje construir avança também em sua relação com a aprendizagem: é necessário saber usar a memória; evoluir na expressão da linguagem; administrar estados de emoção; concentrar-se; e diferenciar o descrever do analisar, o comparar do classificar e o deduzir do observar. Será que, muitas vezes, por não se conhecer bem esta, outras indisciplinas não são promovidas? Tal como em todo jogo amigável, é essencial que, ao discutir as muitas disciplinas, definam-se as sanções — jamais culpas, castigos ou penitências — que toda quebra de regra contratual implica. Se a regra diz, por exemplo, que somente o goleiro pode colocar a mão na bola que está em jogo, sempre quando outro jogador faz uso das mãos, a falta emerge de forma natural, sem ressentimentos.
Quando os professores de uma unidade escolar sentam-se com seus alunos e desconstroem e sabem reconstruir a plenitude da significação e dos tipos de disciplina, não apenas a aula corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como estudantes e mestres descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.

Celso Antunes é professor e psicopedagogo.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Descrição de Mãe


Quando Deus Criou as Mães

Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou dele e lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação. Em que, afinal de contas, ela era tão especial?

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado. Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido quase insignificante numa roupa especial para a festinha da escola.

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado. Outro par para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: "eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo", mesmo sem dizer nenhuma palavra.

O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos, de superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.

Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade. Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas ainda assim insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.

Uma mulher de lábios ternos que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas. Lábios que soubessem falar de Deus, do universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.

Uma mulher.

Uma mãe.
(Autor desconhecido)


FELIZ DIA DAS MÃES!

sábado, 5 de abril de 2008

Remédios para o professor e a Educação


O alívio para problemas como estresse e dores musculares - as maiores causas de afastamento da sala de aula- está nos mesmos fatores que garantem um ensino de qualidade.

(Revista Nova Escola)

Clique na imagem e leia reportagem na íntegra.

A Magia Do Relacionamento Professor/aluno

(Cybele Meyer)
Para que haja uma aula o professor primeiramente necessita optar pela área que irá trabalhar e em seguida escolher o tema. Até aqui nada de novo. Isto acontece com todos os professores não importando o nível em que vá atuar.
O que irá fazer a diferença será a forma como este profissional conduzirá a aula. Não existe uma fórmula para se aplicar ou um roteiro para seguir em sala de aula. O que existe, na verdade, é a criatividade do professor e a sintonia que deverá existir entre ele e os alunos.

O professor, em primeiro lugar, tem que amar o que faz. Tem que entrar diariamente na sala de aula como se estivesse entrando num lugar mágico. Tem que estar sempre com a expressão tranqüila, serena. A fisionomia do professor é o termômetro do aluno. Aquele que pensa que cara feia impõe respeito está muito enganado, o que realmente ocorre é um momento de alerta, por parte do aluno, para saber no que resultará esta ?cara feia?.

O professor também não deve ser previsível, ele tem sempre que surpreender.

O não saber como será a aula hoje, desperta um profundo interesse por parte do aluno. A aula deverá ser conduzida de forma que todos interajam e desta forma cheguem ao resultado pretendido. A resposta nunca deve ser dada de imediato. O segredo do entendimento está justamente em percorrer todo o caminho até o resultado final. O professor dará as coordenadas conduzindo assim a classe para que cheguem ao objetivo proposto. O raciocinar é a alma do entendimento. Quando o professor sente que os alunos estão ficando entediados, que a participação está diminuindo, é chegado o momento de ?surpreender? a classe. Faça com que todos levantem. Aplique uma dinâmica ou dê comandos para que exerçam uma seqüência lógica corporal. Ex.: Cada aluno deverá ficar de pé ao lado da sua cadeira e o professor dará dois comandos como bater palmas e em seguida estalar os dedos. Conta então até três e pede para que todos façam nesta ordem. Em seguida aumenta o comando: bater palmas, estalar os dedos e dar um pulo no lugar. Pede então para que repitam. Pode então aumentar mais um comando ficando assim: bater palmas, estalar os dedos, dar um pulo e girar 360°. Combinados todos os comandos é só dar início à seqüência sem interrompê-la. Este tipo de ?intervalo? trará novamente a atenção dos alunos, fazendo com que se sintam motivados, revigorados e você conseguirá novamente o interesse e a participação de todos.

O professor deverá ter sempre uma ?carta na manga? para usar quando sentir que a atenção dos alunos está dispersando. Evite falar sempre no mesmo tom, isto é um santo remédio para dar sono. Procure andar pela classe enquanto faz suas explanações, mas não de forma compassada, ritmada. Ande gesticulando, faça com que seus alunos se virem na carteira para ver o que você está fazendo naquele momento. Não importa a idade do aluno, o ficar sentado por muito tempo deixa qualquer um entediado. É por esta razão, que o professor, tem que motivar ao máximo a atenção do aluno, para o assunto que está explicando. Esta motivação se dará pela forma como está sendo exposta, fazendo com que o aluno fique tão interessado que venha a esquecer todo o resto.

Numa aula interessante não há conversa paralela, não há aluno absorto e muito menos bagunceiro. Todos estes comportamentos, do professor para com o aluno, são demonstrações de respeito, de consideração, de carinho, assim sendo, o aluno sentirá prazer pelo aprender, pela matéria e conseqüentemente pelo professor.

Com certeza, o índice de entendimento será muito elevado. O professor sempre teve uma enorme vantagem sobre o aluno, mas poucos se lembram disso - o aluno nunca foi professor, mas todo professor já foi aluno. É só se lembrar daquele professor que foi muito especial, e se inspirar! Sabemos que não há uma fórmula mágica para sermos bom professor, mas sabemos que há uma magia que vive dentro de cada um de nós.

É só abrirmos a porta e deixarmos ela fluir.

Boa aula!

terça-feira, 1 de abril de 2008

A Escola dos Sonhos

(Carlos Drumond de Andrade)
Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade de aprender que em vocês é natural.
Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos: que possibilitasse seu crescimento físico e sadio.Normal.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza, o ar, a matéria, as plantas, os animais, seu próprio corpo. Deus.
Mas que ensinasse primeiro pela observação, pela descoberta, pela experimentação.
E que dessas coisas lhes ensinasse não só o conhecer, como também a aceitar, a amar e preservar.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a nossa história e a nossa terra de uma maneira viva e atraente.
Eu queria uma escola que lhes ensinasse a usarem bem a nossa língua, a pensarem e a se expressarem com clareza.
Eu queria uma escola que lhes ensinassem a pensar, a raciocinar, a procurar soluções. Eu queria uma escola que desde cedo usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações... Usando palitos, tampinhas, pedrinhas...só porcariinhas!... fazendo vocês aprenderem brincando...

Oh! Meu Deus! Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos. Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos...
Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos "prontos", mediocramente embalados nos livros didáticos descartáveis.
Deus que livre vocês de ficarem passivos, ouvindo e repetindo, repetindo repetindo, repetindo...
Eu também queria uma escola que ensinasse a conviver, a cooperar, a respeitar, a esperar, a saber viver em comunidade, em união.
Que vocês aprendessem a transformar e criar.
Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento, cada drama, cada emoção.
Ah! E antes que eu me esqueça: Deus que livre vocês de um professor incompetente.

Para vocês, Professores, meu carinho e minha admiração!